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Dólar encosta em R$ 4,25 pressionado por cenário político; juros sobem

A falta de apoio do governo no Congresso para aprovar medidas necessárias para que o país volte a equilibrar suas contas e a perspectiva de novo corte da nota de crédito brasileira voltaram a pressionar os mercados de câmbio e juros futuros nesta quinta-feira (24).
O dólar chegou a encostar em R$ 4,25 no início do dia, mas em seguida amenizou o ritmo de alta, enquanto no mercado de juros futuros o contrato para janeiro de 2021 previu taxa em torno de 17% —reflexo da expectativa de que o Brasil terá que pagar retornos maiores para compensar o risco mais elevado de se investir no país.
Os dois aumentos dificultam a situação de empresas que precisam de financiamento ou estão endividadas em dólar. A preocupação é que, com taxas cada vez mais altas, o crédito "trave", provocando um efeito dominó.
Às 11h45 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 1,06%, para R$ 4,180. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançava 1,01%, para R$ 4,187.
Ambas as cotações atingiram a máxima de R$ 4,249 mais cedo e operam no maior valor desde o início do Plano Real, em 1994. Vale lembrar, porém, que R$ 4,20 naquela época equivaleria hoje a cerca de R$ 13,38, após correção inflacionária.
O contrato de juros futuros para janeiro de 2016 tinha taxa de 15%, ante 14,795% na véspera. Já o DI para janeiro de 2021 subia de 16,80% para 16,88%.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tentou afirmou nesta quinta-feira que as taxas de juros futuros não servirão de guia para a condução da política monetária nos próximos meses, reafirmando o a estratégia de manutenção da Selic em 14,25% por período suficientemente prolongado.
Tombini ressaltou que a autoridade irá assegurar que o mercado de câmbio funcione de forma eficaz, acrescentando que o BC e o Tesouro têm instrumentos adequados para evitar volatilidade e ansiedade nos mercados.
"Absolutamente nada mudou no cenário de ontem para hoje. A crise política continua e a deterioração econômica também", disse Fernando Bergallo, gerente de câmbio TOV Corretora. "O mercado desenvolveu vida própria pela falta de referências, por isso não tem piso nem teto para as cotações, que sofrem forte volatilidade."
Segundo Bergallo, a dificuldade que o governo tem enfrentado para chegar à uma solução para a crise fiscal ampliaram a chance de corte na nota de crédito do país, a exemplo do que a Standard & Poor's fez no início do mês.
O receio é que o Brasil também perca o chamado grau de investimento da Fitch ou da Moody's. Com duas classificações de grau especulativo, grandes fundos estrangeiros têm que remover suas aplicações do país pelo risco maior de calote.
O dólar e a economia
"É uma situação inédita até mesmo para quem já trabalha há anos no mercado financeiro. Não tem como saber quanto disso já está sendo considerado nos preços dos ativos, pois a falta de referências cria distorções", disse. "Pode ser que o dólar tenha uma queda abrupta em algum momento mais para frente para corrigir isso, caso a pauta política traga notícias positivas, dando base para o mercado voltar a ter expectativas."
Sobre as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, Bergallo avalia que elas são "desperdício de tempo e dinheiro". "Nenhum BC consegue 'peitar' o mercado. Não vai ser dessa forma que a autoridade vai conseguir inverter a tendência de valorização da moeda americana, por isso não espero uma atitude mais firme do BC além do que ele já tem feito", afirmou.
O Banco Central realizou nesta manhã um leilão de 20.000 contratos de swaps cambiais por US$ 961,2 milhões. A mesma quantidade de papéis foi oferecida na véspera, quando houve demanda por apenas 4.400. Desde abril, o BC não promovia leilões como este, em que coloca papéis novos no mercado. Mas a autoridade vem realizando operações diárias para estender o prazo de contratos existentes de swap.
AÇÕES EM QUEDA
No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira acompanhava o mau humor externo e operava no vermelho. Às 11h45, o Ibovespa perdia 1,30%, para 44.752 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 2,5 bilhões. Em Nova York, as Bolsas cediam mais de 1%, enquanto na Europa a perda superava os 2%.
Investidores seguem cautelosos com a crise global, a desaceleração da China e a expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos ainda neste ano, o que retiraria investimentos de países emergentes como o Brasil.
As ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas e sem direito a voto, perdiam 1,75%, para R$ 6,70. Na véspera, esses papéis já haviam fechado no menor valor desde agosto de 2003. Já as ações ordinárias, com direito a voto, tinham desaceleração de 1,45%, para R$ 8,14 cada uma.
Também no vermelho, a Vale via sua ação preferencial ceder 1,20%, para R$ 14,74. Os bancos, setor com maior peso dentro do Ibovespa, ajudavam a empurrar o índice para baixo. O Itaú caía 1,55%, enquanto o papel preferencial do Bradesco tinha baixa de 2,14% e o Banco do Brasil recuava 2,48%.
Do outro lado do Ibovespa, as ações de siderúrgicas lideravam os ganhos do índice, com a ação preferencial da Usiminas em alta de 6,65%, para R$ 3,53, enquanto a CSN subia 5,16%, para R$ 4,28. Ambas devolvem a forte perda de mais de 15% registrada na véspera.
Folha de São Paulo 

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